sexta-feira, 25 de abril de 2008

25 de Abril, que dia!


25 de Abril: para uns dia da liberdade, para outros dia de folga/ férias... Hoje ouvi na rádio que os jovens não conhecem o verdadeiro significado deste dia. Eu sou moderadamente jovem, ou seja, ainda sou nova demais para me chamarem "cota" mas velha demais para me considerarem jovem, até porque já não tenho cartão jovem, essa grande marca de estatuto juvenil. No entanto, consigo perceber o fervor revolucionário e a indiferença de alguns jovens. Eu sou a chamada "filha do filho da Revolução": o meu pai viveu o 25 de Abril, talvez não da melhor forma, ao ter que abandonar a sua casa e bens terrenos em Angola e ter de se mudar só de bagagens, sem armas nem absolutamente mais nada, para Portugal. Por isso, e talvez por, mesmo assim, o meu pai acreditar no conceito de liberdade, este dia seja marcante. Para um jovem comum, este dia é absolutamente irrelevante: não havia playstations, não sabe o que é o fado, e Fátima, muitas vezes. Sabe o que é o futebol, mas mesmo aí vê a liberdade...


o 25 de Abril trouxe a liberdade e isso é bom, mas um jovem nunca se viu privado dela, nem em casa nem na rua. Senão vejamos: hoje, dia fantástico, feriado nacional, sol radiante e esplendoroso... logo, viagem a destino perto do mar, daí Aveiro. Cidade extraordinária mas também grande pólo estudantil.


Assim sendo, e estando a cidade em grande euforia (excesso de calor e de semana académica!), entramos numa pastelaria, para a dose mensal recomendada de doces típicos (mensal significa que tem mais calorias numa hóstia de ovos moles do que todas as outras refeições ingeridas num mês)! Eis quando, porém, deparamos com a seguinte cena: grupo de estudantes a tocar musiquinhas típicas das tunas (so far so good). Entretanto, surge uma rapariga, extremamente ébria (por outras palavras "bêbada que nem um cacho") e começa a interagir com o grupo, a ponto de se sentar no colo de um dos rapazes. Ao sairmos, cena semelhante: um grupo de jovens, a meio do dia, completamente bêbados e ostentando orgulhosamente as suas "bejecas". Pergunto-me: será isto liberdade ou excesso dela? O que dirão os grandes fazedores do acontecimento ao olharem para este cenário? Será que ainda teriam vontade de salvar isto ou que o outro senhor regressasse da cova para exorcizar estes demónios?


Sem radicalismos, expresso-me com naturalidade, como a filha do filho de Abril que sou: não sou pretenciosa, não sou ambiciosa, não sou excessiva, ... Sou, num país onde ser parece ser suficiente e viver se torna cada vez mais insuportável...


Perdoem o meu mau humor, mas, para completar o meu dia, a caminho de casa, parei para ajudar um casal estrangeiro e seus dois filhos, pois tinham a autocaravana avariada. Parei não com a intenção de fazer nenhum arranjo, mas apenas para dar uma "mãozinha", ou melhor, prestar alguns serviços linguísticos. Descobri que eram quase dos antípodas, New Zeland. "Fantástico", pensei eu, já revivendo na mente aquelas paisagens do Senhor dos Anéis. Lá tentei ajudar os pobrezitos, sim, porque avariar um carro no dia 25 de Abril e mais, no meio da pacóvia, prometia aventura... Tentei deixar o senhor na bomba de gasolina e seguir o meu caminho, mas não... o senhor da bomba de gasolina foi tudo menos prestativo. Depois de alguma conversa, lá o convenci a dizer-me onde poderia haver um reboque ali perto. Chegámos ao local do reboque e... surpresa! O 'Tuga tinha ido passear... Ao fazer marcha-atrás, bati com a traseira do carro no muro... lindo serviço (condução de mulher, devem estar alguns a pensar). Entretanto, ideia brilhante. Voltar ao lugar onde ficaram a mulher e os filhos e procurar informações nos documentos dos carros. Mais surpresas... lá consigo fazer com o senhor do reboque: afinal não foi passear, foi fazer um serviço em "cascos de rolha mais velho" e não consegue vir a tempo. Conselho: ligar o 112. Lá ligo, a custo, porque na verdade não se trata de uma emergência... lá peço desculpa pelo incómodo e para me ligarem à BT, que se prontifica para comparecer no local. Lá resolvi, parcialmente, o problema dos "estrangitas". No final pensei: "Quem me manda a mim ajudar os outros? Ainda acabei por dar cabo do carro...".


Lição e moral do dia: Nunca ajudar um estranho em apuros!!!! Brincadeira!!!! Agora a sério: a liberdade é boa, permite-nos o livre arbítrio mas com ele devem vir responsabilidades, considerações, que nem sempre estamos dispostos a cumprir.


Happy 25th April,


CMVD

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